"O céu"
Na quietude da sala , em um dia qualquer
Eu conversava com Ronaldo Rogério de Freitas Mourão
seguidor dos árabes
O espaço dilatou-se
e uma luz diferente
vermelha , branca
alaranjada
pousou em nossas peles e palavras
Senti que estava perto Betelgeuse
e Antares e Aldebarã
ocupavam espaço incomensurável na sala restrita
Tinha à minha frente as três Zuban
El- Gaubi , El-Shmali, El Ekiribi
Nada me atraía mais do que Zamiah
que fulgiu e sumiu deixando em seu lugar
Merope , Celaene
Completamente banhado por Sírius e cercado pelas sete Plêiades, já me desfizera de tudo que é superfície e cuidado e limitações para viver entre os objetos celestes.
Procyon - exclamei , e Ronaldo apontou para o clarão de Alumadin
Vi Margarida , Fomalhaut , no desdobramento abissal
o desfile de corpos ambíguos , intermitentes , enigmáticos
O céu , o infinito firmamento
girava em função do verbo solto
Por acaso , na conversa de ignorantes e de astrônomos
Carlos Drummond de Andrade
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